Os Primeiros Dias

Chegar a casa com o meu bebé, recém-nascido, que tinha pouco mais de 48 horas, foi emocionante e, ao mesmo tempo, assustador...

Finalmente estávamos na nossa casa, no nosso espaço e podíamos mostrar ao nosso bebé a casa dele, o quarto dele... Claro que o que ele queria mesmo era dormir, de preferência sentindo o nosso cheiro e calor (principalmente o calor, porque estava muito frio quando ele nasceu).

Mal chegámos tivemos logo visitas dos avós, que estavam desejosos de estar com o Miguel, sem o limite do horário de visitas (bastante rigoroso no Hospital S. João).

Até ficarmos só os três, a sensação era apenas de alegria, por estar finalmente em casa (uma das minhas colegas de quarto ressonava tanto que eu não podia esperar por estar no silêncio da minha casa). Quando ficámos só os três vieram a ansiedade, a insegurança, o medo... Será que nós íamos ser capazes de tomar conta de um bebé tão indefeso e totalmente dependente de nós? Íamos conseguir compreender as necessidades dele? Seríamos capazes de o fazer feliz?...

Eu podia dizer que os medos desaparecem e que, passados mais de 4 meses, já nem penso nessas perguntas... Mas ia estar a mentir! Penso nelas todos os dias! E já fui acrescentando novas: estarei a fazer tudo para contribuir para o desenvolvimento dele? Estarei a dar-lhe demasiado mimo? Falo e brinco com ele que chegue? Será demais? E se me acontece alguma coisa? E se ele precisar de mim e eu não estiver?... Enfim, um sem número de dúvidas, inseguranças e medos! Mas, quando olho para ele, fico mais calma e com uma certeza: vale TÃO a pena :-)

Os dias seguintes foram marcados pela vontade imensa de proteger o meu rebento! Sempre que alguém espirrava ou tossia na mesma divisão onde ele estava, eu tinha vontade de atirar a pessoa pela janela fora (confesso que ainda tenho, mas tenho-me esforçado por me controlar...). Estava sempre a querer sentir a respiração dele (já estou melhor, mas ainda faço isso). Ficava horas só a olhar para ele (sim, ainda fico...).

Mas não se pode falar dos primeiros dias sem falar das poucas horas de sono! Mesmo quando se tem um bebé calminho, como eu tive a sorte de ter, ele vai acordar de 3 em 3 horas (ou menos) para mamar, quer seja dia ou noite... Se juntarmos isso aos medos e inseguranças, há sempre dias em que as coisas não parecem tão fáceis!

Ainda assim, para mim, os dias mais difíceis foram quando o Miguel chorava, sem eu saber o que fazer para ele parar. Eu costumo dizer que ele quer uma irmãzinha ou um irmãozinho, por isso é, normalmente, sossegado. Isso não quer dizer que não chore, como todos os bebés! Até aos 3 meses ele tinha prisão de ventre, por isso, havia dias que ele chorava com dores. Saber que o meu bebézinho lindo tinha dores e não poder fazer nada para o ajudar dava comigo em doida (a comemoração do nosso segundo aniversário de casamento vai ser sempre recordado como o dia em que recebi o meu querido marido lavada em lágrimas porque o Miguel tinha passado o dia a choramingar). Felizmente, o choro melhora à medida que eles aprendem outras formas de comunicar connosco e de chamar a nossa atenção e também à medida que passam os problemas da barriga (sejam prisão de ventre, como o Miguel teve, sejam as cólicas, que muitos bebés têm).

Olhando para trás, o que ficou foi o lado bom, meigo e emocionante de ter um recém-nascido! E, provavelmente, quanto mais tempo passar, menos me vou lembrar das noites mal dormidas e dos momentos de choro, por causa das dores de barriga e mais me vou lembrar do deslumbramento que o Miguel me causou desde os primeiros dias (e que continua a causar)!

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