Segundas Oportunidades

Créditos Fotográficos: Spatium - Fotografia & Vídeo

Há 11 anos atrás, eu estava em risco de vida! Literalmente!


E sabem o que é mais assustador? Saber que eu deixei a situação arrastar. Que fui descuidada, que não soube ouvir o meu corpo!
Tudo começou com uma dor na perna. Mesmo forte. Parecia uma cãibra que não passava nunca. Mas eu não liguei. Achei que tinha dado um mau jeito e deixei andar. Continuei a fazer a minha vida normal, a ir trabalhar, até porque estava no início da minha carreira e queria provar a tudo e a todos que era uma profissional extraordinária. Os dias foram passando, a dor na perna foi melhorando. Já conseguia pousar o calcanhar no chão... Ainda fui a alguns médicos, de clínicas e hospitais privados, mas nenhum deles pareceu preocupado com a minha dor na perna. Comecei a sentir uma dor dentro da costela, do lado esquerdo. Mas de certeza que aquilo ia passar.
Ao ver o estado da minha perna, no nosso jantar do Dia do Pai, o meu Pai disse-me que devia ir ao hospital. E eu lá lhe disse que ia no dia seguinte. Mas que precisava ir ao escritório, antes, terminar uma proposta. E, atrás dessa proposta foi mais uma e mais outra coisa... Depois de um puxão de orelhas, via telefone, que o meu Pai me deu, lá fui eu às Urgências de um hospital a sério.

Ia lá, num instante, até porque era o aniversário do Pai do meu namorado, e estavam todos à minha espera para jantar. Deram-me uma pulseira verde... "Estão a ver" - pensei eu - "não é nada grave!". Até já imaginava o gozo dos médicos e enfermeiros por eu ter ido para ali, com a mania que tinha alguma coisa... A expressão da primeira médica que me viu, no entanto, não foi tranquilizadora. Mas ninguém mudou a cor da minha pulseira. Por isso, eu era sempre a última a fazer todas as análises, os meus resultados eram sempre os últimos a chegar: quase toda a gente que ali estava tinha uma pulseira amarela...

As horas foram passando, e no caos que é uma urgência num grande hospital, que ainda por cima estava com problemas informáticos e muitas coisas estavam a ter que ser feitas manualmente, ninguém me explicava o que se passava. Só que não podia comer. E que fome eu tinha!

Ao fim da noite, lá fui fazer o último exame que faltava para confirmar o meu diagnóstico: um TAC (o motivo pelo qual eu não podia comer). E eu fui. A pé, alegremente por ser a última coisa que faltava para poder ir para casa. Tinha tanto que fazer no escritório no dia seguinte, e já era tão tarde! Quando vínhamos embora, o técnico que me fez o TAC veio dizer-me que eu ia ter que ficar internada. "Como assim internada?!" - disse eu, indignada - "Só pode ser engano! Eu tenho uma pulseira verde. Não tenho nada de grave!".

Mas, afinal, até tinha: uma trombose venosa profunda, que evoluiu para um tromboembolismo pulmonar, que resultou no enfarte dos dois pulmões (não sei se, tecnicamente, a ordem é esta, mas foi esse o quadro geral).

Felizmente, não fiz parte da não sei (nem quero saber!) qual percentagem de casos que resultam em morte súbita. Nem sequer fiquei com sequelas. Apenas com medicação durante um ano. Com cuidados especiais quando viajo de avião, ou durante a gravidez.

Claro que é uma coisa que nunca esqueço. Que agradeço constantemente! Por ter tido uma segunda oportunidade. Por ter podido continuar a minha vida, normalmente. Por ter podido conhecer o maior amor de todos: os meus Filhos.

Nem quero esquecer! Quero que sirva sempre para eu saber que as minhas prioridades têm que estar bem definidas. Que devo ouvir o que o meu corpo me diz. Que os nossos hospitais públicos têm médicos extraordinários. Que devemos aproveitar o dia de hoje ao máximo, o momento atual, sem arrependimentos!

Porque não sabemos o que vai acontecer amanhã, daqui a pouco. Apenas sabemos que hoje, agora, tem que valer a pena!






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Obrigada! 😍

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